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Revista de Liturgia

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Suba nosso Louvor como incenso em Tua presença

Edição número 263

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O capitalismo selvagem, no qual o mundo está mergulhado, se transformou numa religião em que se é “iniciado” antes mesmo de nascer e em que, gradativamente, se é colocado a seu serviço e condicionado a devotar ao seu culto as melhores energias. A imensa maioria da população, porém, sobretudo os que estão à margem do grande mercado, não só não alcança o ideal prometido e almejado, mas se torna vítima do sacrifício que se impõe pela exigência do consumismo, perdendo a capacidade de enxergar portas de saída desse lugar estreito. A coletividade cede lugar à subjetividade de tal maneira que já não se consegue canalizar as forças em torno de lutas e interesses comuns mais humanizados.

A própria religião é atingida por essa cultura do mercado e se torna objeto de consumo, oferecendo respostas a demandas personalizadas, em nome da subjetividade . Quanto mais se busca uma religião que vá ao encontro de necessidades imediatas, mais ela tem chance de reunir multidões. Até mesmo dentro das Igrejas tem-se cedido a essa tentação e, com isso, se tem transformado a fé em produto e a liturgia em lugar de troca.

No entanto, a fé é nossa adesão livre ao dom generoso e gratuito que Deus nos faz em Jesus Cristo, sem que nada tenhamos feito para merecer. A liturgia é memória de um amor incondicional do Pai, do Filho e do Espírito. Nela somos associados ao cântico de Louvor de Jesus ao Pai, seja na celebração eucarística, seja de outras maneiras, especialmente pelo Ofício Divino (cf. SC 83).

De fato, o Ofício Divino, mais que qualquer outra expressão litúrgica, manifesta a dimensão gratuita da fé, pois aí nada levamos para oferecer e nada recebemos, “oferecemos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13,15). No Ofício das Comunidades, versão inculturada da Liturgia das Horas, o rito do incenso, situado na abertura do ofício de vigília, é expressão não verbal dessa gratuidade, ao resgatar o verdadeiro sentido da oferta vespertina do incenso como expressão do louvor e ação de graças a Deus pela páscoa de Jesus.