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Revista de Liturgia

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A Páscoa do Natal

Edição número 258

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A Páscoa é a festa das festas, mas o Natal a celebra como sacramento do nascimento e manifestação do Salvador em nossa humanidade. Não se trata de simples lembrança do aniversário de Jesus, mas de celebração da sua páscoa, que começa com o seu aparecimento na terra em nossa condição humana. A sua vitória sobre o mal e sobre a morte injusta na cruz começa ao entrar no mundo, pela experiência de nascer como pobre, ameaçado de  morte, subjugado aos poderes políticos, procurado por Herodes. No meio de todas as contradições, Ele é a Estrela que brilha  na noite do povo e atrai a visita dos sábios, é o Salvador anunciado pelos anjos e reconhecido pelos pastores, a luz de todas as nações proclamada por Simeão.

A memória do nascimento de Cristo em Belém permite que revisitemos o fato  histórico da sua origem como evento pascal. No memorial somos tocados pela graça da encarnação do Verbo de Deus, como Maria, no seu caminho interior de fé, atenta aos acontecimentos no meio da noite escura... Como os pastores, em sua coragem e confiança de se embrenhar na escuridão, deixando para trás o conhecido em busca do novo... Como os Magos, que à procura pelo caminho mais longo do conhecimento, descobrem deitado sobre palhas o que buscavam nas alturas.

A celebração litúrgica do Natal evoca a possibilidade de um novo nascimento, de um novo começo, seja no plano pessoal, seja na Igreja e na vida do povo. Assim como na experiência de nascer o trauma do parto é apenas uma passagem, a dura derrota que vivemos como sociedade brasileira pode ser uma oportunidade de rever trajetórias, de corrigir equívocos e de reunir forças para continuar a luta, de um lado, pela preservação dos direitos conquistados, de  outro, por novos avanços ainda tão necessários. Celebrar a memória pascal da encarnação de Jesus deve nos ajudar a ler a história e a ocupar nela o lugar que Jesus escolheu, deve animar a esperança e mover nossas forças para contribuirmos de algum modo, lembrando o que disse o papa Francisco: “A política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum”. O espaço que está institucionalizado não é o único, podemos,  também, trabalhar nas bases, nas rodas de conversa, na escola, como bem ensinava Paulo Freira. Há esperança! Eis porque podemos celebrar o Natal com alegria, como sugeria em seu tempo (séc. V) o Papa Leão Magno:

“Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. (...) Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne. Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por uma conduta indigna de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Recordaste que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus. Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo”.