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LITURGIA E VIDA: caminho de espiritualidade, jovens e adultos

INTRODUÇÃO


A liturgia e seu sentido teológico-espiritual são passados de uma geração a outra. Como animadores de comunidades e formadores na fé, percebemos nos jovens uma sensibilidade e uma busca muito grande pela espiritualidade e pela liturgia, mas constatamos também uma carência na catequese de iniciação.  Os jovens não receberam a devida ajuda para uma participação litúrgica integral. Mesmo as pastorais, movimentos e entidades que trabalham com os jovens, em geral, têm dificuldades de trabalhar a espiritualidade articulada com a liturgia.

Com esta preocupação, elaboramos este subsídio, uma catequese que visa a formação do jovem para a participação na liturgia (e não necessariamente para atuar nos ministérios litúrgicos).  Aqueles que se dispuserem a viabilizá-la uma equipe de coordenação com jovens e adultos amadurecidos na vida cristã , deverão assumir a atitude de escuta das expectativas, das experiências e das interpretações das novas gerações.

Os destinatários desta proposta são, em primeiro lugar, os jovens batizados, que passaram pela catequese de iniciação à eucaristia, crismados ou não, participantes da celebração dominical, membros ou não de grupos jovens. Com algumas adaptações do material, os destinatários podem ser também adultos em situação semelhante.

 O material aqui disponibilizado tem como objetivos: a) ajudar os participantes a descobrirem na liturgia uma fonte permanente de espiritualidade, no seguimento de Jesus; b) proporcionar uma experiência de participação litúrgica que seja ativa, consciente, plena e inspiradora da vida; c) relacionar a sensibilidade espiritual dos participantes e sua busca de Deus com as mediações da liturgia cristã; d) explicitar os meios pessoais e comunitários para que a liturgia seja expressão da fé e suporte para a perseverança na vida cristã.

 São oferecidos roteiros para dez encontros, distribuídos ao longo de um ano litúrgico, partindo do ciclo pascal e terminando no ciclo do natal.

Cada encontro necessita de, no mínimo, quatro horas para ser realizado. Podem ser usadas as manhãs ou tardes de sábado ou de domingo. Nossa preferência é de um encontro por mês, em média, para que haja tempo, entre um encontro e outro, para assimilação pessoal, vivência e leituras complementares.

 Os temas dos encontros poderiam ser distribuídos ao longo dos meses, a saber:


1) Iniciação cristã e quaresma [no tempo da quaresma - março]

2) Encontro com Cristo e tríduo pascal [no tempo da quaresma; abril]

3) Tempo pascal e domingo [no tempo da páscoa; maio]

4) Oração da Igreja [junho]

5) Assembleia e ritos iniciais [julho]

6) Palavra e oração [agosto]

7) Eucaristia 1 [setembro]

8) Eucaristia 2 [outubro]

9) Conversão permanente [novembro]

10) Ciclo natalino [dezembro]. Quando não for possível começar no ciclo pascal, os próprios roteiros sugerem alternativas para serem usados no tempo comum.

 

A metodologia da formação, nestes roteiros, pretende ser participativa em todos os seus momentos. O ponto de partida do tema, seu desenvolvimento, bem como as indicações para a prática, procuram partir sempre dos participantes, com sua sensibilidade e vivência. Fazem parte da metodologia: experiência dos ritos, oração comunitária e pessoal, diálogo entre coordenadores e participantes, rodas de conversa, ensaio e mistagogia de cantos, aproximação à música popular brasileira, dança, etc.

Os temas são interligados, o que exige participação integral em cada encontro. Além disso, depois do primeiro encontro, não devem ser admitidos novos participantes. A ausência em um dos encontros deve ser avaliada pelos coordenadores e buscada uma forma de reposição.


ELEMENTOS DE CADA ENCONTRO


Os roteiros dos encontros são compostos de elementos variados, muitos deles bem conhecidos por nós e bastante usados nas iniciativas de formação de nossa Igreja. Aqui fazemos uma rápida explicação de cada elemento para evitar a repetição das mesmas explicações dentro dos roteiros. Quando houver um elemento diferente ou usado com alguma particularidade, aí sim serão dados novos detalhes.

Preparação do ambiente: se for possível, que sejam preparados três ambientes para os encontros: um para celebração, outro para catequese e um terceiro para os intervalos e lanches.

No lugar da reunião, as cadeiras serão colocadas em forma de meia lua ou de “u”, para facilitar a comunicação entre todos. Se não houver possibilidade de um espaço diferenciado para os momentos de liturgia, na sala de catequese, a mesa poderá ganhar um sentido religioso e ajudar a concentrar a atenção. Nela pode ser colocada uma toalha, velas e a bíblia, que devem ser retiradas no final da celebração.

Acolhida: os participantes serão sempre bem acolhidos pela coordenação, logo à chegada, e conduzidos para o lugar da reunião ou do ofício.

Oração inicial: sugerimos que os encontros comecem sempre com um tempo de oração, na forma de um pequeno ofício. Nela os participantes reencontram o seu centro e entram em comunhão com o Divino. Com isso, estaremos também oferecendo aos jovens ou adultos uma estrutura de oração que poderá ficar como referência para o seu caminho de fé.

Para esta oração inicial é sugerida uma abertura cantada, uma palavra bem curta sobre o mistério da oração, um salmo, um pequeno texto das cartas do Novo Testamento relacionado à vida cristã, a oração do Pai nosso, uma oração tipo coleta, uma bênção e despedida.

Não há necessidade de incluir na folha da oração a abertura do mesmo (por ser um canto de repetição), nem a leitura bíblica, a oração e a despedida. Talvez , reproduzir na folha o esquema da oração (a estrutura, passo a passo), ajude os participantes a se familiarizarem com a sequência dessa oração comunitária.

Recordação da vida: neste projeto a recordação da vida não é feita na oração inicial (como é costume ser feito nos ofícios). Ela é assumida como um elemento pedagógico do encontro, que proporciona a formação litúrgica ser relacionada à vida. No início do encontro, feita adequadamente, ela poderá trazer presente o que foi vivido pelos participantes em seu cotidiano.

Retomada das atividades: a partir do segundo encontro, sempre será feito um apanhado daquilo que foi pedido aos participantes de estudar ou realizar no intervalo, desde o encontro anterior.

Conversa: geralmente todos os assuntos tratados nos encontros partem de uma conversa em plenário, onde os participantes podem expor suas opiniões livremente. Para isso foram formuladas perguntas apropriadas.

Exposição e recursos: estão previstas nos roteiros explanações breves. Insistimos que sejam acompanhadas pelos participantes através de uma folha com os tópicos principais, eventuais gravuras, perguntas para meditação pessoal ou para as rodas de conversa, indicações bíblicas, etc. Podem ser usados também nas exposições outros recursos didáticos, tipo álbum seriado ou projeção. A folha de conteúdos, de qualquer forma, deve ser distribuída para facilitar a retenção dos mesmos. Lembramos, ainda, as possibilidades pedagógicas de alguns filmes (religiosos ou não).

Vivência: trata-se de um recurso pedagógico, usado na formação litúrgica, em que o rito é experimentado pelos participantes, com a ajuda dos formadores. São oferecidas as informações básicas para a compreensão do rito e a participação integral nele (seu contexto litúrgico, sua história, seus elementos constitutivos, sua relação com o antropológico, o acontecimento da salvação que ele realiza e sua relevância para a vida em Cristo e no Espírito).

Leitura orante: os roteiros deste projeto não usam sistematicamente os passos da leitura orante. Procura-se, no entanto, que o contato dos participantes com os textos bíblicos seja feito de forma orante, a saber: aproximação reverente ao texto, certeza da presença de Cristo na Palavra, deixar que a vida seja iluminada por ela, verbalizar a oração que brota da Palavra como ação do Espírito em nós. O método da leitura orante é apresentado no sexto encontro.

Mistagogia: nas vivências, assim como em algumas exposições e cantos, é feita, por um dos coordenadores, uma breve mistagogia, ou seja, uma leitura minuciosa do rito, das orações, explicitando e aprofundando o mistério ali presente.

Canto: refrãos e cantos, sobretudo usados na liturgia, são sugeridos nos roteiros, como preparação ou prolongamento de um determinado tema. Se preciso, podem ser mudados para outros mais adequados. No entanto, será necessário não transformar todos os cantos em animação, para despertar o interesse, distrair ou “agitar” o grupo. Há cantos com essa finalidade – sobretudo populares – e que podem ser usados livremente, se o momento permitir. Os cantos sugeridos em nossos roteiros, ao contrário, visam a concentração, a afirmação da fé e da esperança.

Música popular brasileira: por causa do valor antropológico, cultural e poético de muitas de nossas composições, e da sensibilidade musical dos jovens (e adultos), são indicadas músicas relacionadas aos temas do projeto.

Roda de conversa: pequenos grupos são formados, depois de algumas exposições, para meditar um trecho bíblico, ou partilhar experiências, ou ler e aprofundar um texto, ou realizar outra atividade. Chamamos de roda de leitura orante a reunião de alguns participantes para meditação de um texto bíblico ou não.

Plenário: serve para colocar em comum, com todos os participantes, destaques do que veio à tona nas rodas de conversa. Os relatores podem ser, algumas vezes, membros da coordenação, e outras vezes, membros do grupo, conforme indicado nos roteiros. Os relatórios podem ser feitos de forma criativa.

Considerações finais: quase sempre os plenários ou as conversas pedem que um ou mais coordenadores façam uma colocação que arremate o que foi falado. Uma vez será um destaque ao que foi dito, outra vez será uma colocação complementar.

Dança: outro elemento que compõe a metodologia por ser muito natural para o jovem. As músicas podem ser realizadas com o movimento do corpo, espontaneamente, ou podem ser sugeridas coreografias e danças circulares, como as cirandas nordestinas.

Dinâmica: atividade lúdica com finalidade didática pode fazer parte dos encontros, até pode ser introduzida pela equipe de coordenação, nos roteiros. De forma alguma devem ser colocadas dinâmicas nas orações e celebrações, mesmo que elas pareçam muito adequadas. As dinâmicas não substituem os ritos. Por outro lado, os momentos de dinâmica não devem incluir ritos e músicas litúrgicas, para que estes não sejam esvaziados de sua função de ligar as pessoas com o mistério de Deus.

Atividades complementares: no final de cada encontro, o roteiro sugere atividades a serem feitas no intervalo entre um encontro e outro. Podem ser: leituras, visitas orientadas, filmes, peças de teatro...

Oração e bênção final: Cada encontro termina com uma oração, “brevíssima” , mas envolvente e realizada com todo empenho pessoal e comunitário. Sempre pedir que os participantes coloquem-se de pé e entrem interiormente em atitude de oração. Sugerimos que seja sempre assim: a) uma oração tipo coleta, formulada por um dos coordenadores (convite à oração, silêncio, oração); b) uma bênção; c) um canto adequado ao tema ou dirigido a Maria.


Um exemplo, tirado do Ritual de Bênçãos:


Oração de bênção

Nós vos agradecemos, Senhor,

e vos bendizemos, pois, muitas vezes e de modos diversos
falastes outrora aos pais pelos profetas;
agora, nestes últimos dias,
nos falastes por vosso Filho,
a fim de manifestar por ele a todos nós
as riquezas da vossa graça.
Tendo-nos reunido
para aprofundarmos as Escrituras,
suplicamos a vossa bondade
para que nos compenetremos
do conhecimento da vossa vontade
e nos façais produzir frutos de boas obras,
agradando-vos em todas as coisas.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Conclusão do rito
O Deus, Pai das misericórdias,
que enviou ao mundo a sua Palavra
e ensinou através do seu Espírito
toda a verdade,
nos faça arautos
do seu amor no mundo. Amém.