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ORAÇÃO COMUM E ORAÇÃO PESSOAL - 6º Encontro

LITURGIA E VIDA: caminho de espiritualidade, jovens e adultos

Este é o sexto roteiro da série "Liturgia e Vida", voltada para a formação espiritual dos/as jovens. Os roteiros são preparados para encontros de quatro horas de duração e procuram trabalhar os elementos básicos da espiritualidade litúrgica. Um dos objetivos deste material é ajudar os/as jovens a descobrirem na liturgia uma fonte permanente de espiritualidade, no seguimento de Jesus.


Roteiro para os coordenadores

 


1. Preparação do ambiente


2. Chegada e acolhida

3. Oração inicial (20 min)

4. Recordação da vida (10 min)

5. Retomada das atividades de casa (15 min). [Folha , n. 1]

6. Canto (5 min) “Sou caipira” (Romaria). [Folha, n. 2]

7. Conversa: Nosso jeito de rezar (15 min). [Folha, n. 3]

8. Exposição: O terço e o ofício divino (15 min). [Folha, n. 4]

9. Conversa: As orações em nossos encontros (5 min). [Folha, n. 5]

10. Exposição: Quando e como rezar o ofício (10 min). [Folha, n. 6]

11. Canto a ser escolhido: Um salmo ou hino que ajude a conversar sobre oração pessoal (5 min). [Folha, n. 7]

12. Conversa: Nossa oração pessoal (5 min). [Folha, n. 8]

13. Dança (10 min). Ciranda com o canto “Indo e vindo” [folha n.9]. Repassar o refrão; explicitar o sentido da letra; informar sobre as cirandas nordestinas; ensinar os passos da ciranda; ensaiar; dançar e cantar de forma consciente.

14. Conversa: Como foi a experiência? (5 min)

15. Intervalo (20 min)

16. Exposição: “A oração cristã” (10 min). [Folha, n. 10]

17. Canto como oração: “Bendito seja Deus” (5 min) [Folha, n. 11]

18. Exposição: “Oração pessoal a partir da palavra de Deus” (5 min). [Folha, n. 12]

19. Conversa dois a dois (10 min). [Folha, n. 13]


20. Plenário: Quem desejar, pode partilhar a conversa que teve com o colega (10 min)

21. Intervalo (20 min)


22. Exposição: “Três chaves para orar a partir dos textos bíblicos e dos salmos” (10 min). [Folha, n. 14]

23. Canto: Salmo 23(22) (5 min). [Folha, n. 15]


24. Conversa: Tentemos usar as três chaves... (5 min)

25. Exposição: Como orar os salmos no ofício ou individualmente (10 min) [folha n. 17]


26. Oração final (10 min). Usando um salmo...

27. Atividades para casa (10 min). [Folha, n. 18]

28. Encerramento

 


ORAÇÃO COMUM E ORAÇÃO PESSOAL

Folha dos Participantes

 

1. Como fazer oração no dia a dia:

a) Podemos recordar o que foi sugerido no último encontro:
- Desde o começo, tomamos a Bíblia nas mãos com uma atitude de fé: é a palavra de Deus;
Deus vai nos falar .
- Antes de ler, pedir a luz do Espírito Santo.
- Depois de ler, procurar repassar o texto na mente e no coração.
- Se for preciso, ler outra vez.
- Então, formular uma oração espontânea, de acordo com a inspiração do próprio texto.

b) Estamos tentando reservar um tempo todo dia para leitura bíblica, meditação e oração?
Como tem sido?
c) Essa prática ajuda o nosso dia a dia?

2. Canto: “Sou caipira” (Romaria)

3. Nosso jeito de rezar:
Como costumamos rezar no grupo, na comunidade e em nossa família?

4. O terço e o ofício divino

Vejamos três formas muito comuns de rezar junto com os outros, ou seja, de forma comunitária.

a) A palavra de Deus e seus salmos:
- A oração do povo de Deus sempre foi iluminada pela palavra de Deus e nela os salmos sempre tiveram um lugar importante.
- Que salmos lembramos? Que pedacinho dos salmos conhecemos?
- Em que lugar da Bíblia ficam os salmos?
- Os salmos são as orações mais antigas do povo de Deus. São uma herança que os cristãos herdaram dos judeus. Os judeus cantavam os salmos, de cor, em suas casas de oração (sinagogas), nas romarias e no templo, como assembleia; e em casa e no trabalho, como família e individualmente.
- Os primeiros cristãos, em suas orações, continuaram a ouvir os textos do Antigo Testamento e cantando os salmos, mas com uma novidade: lembrando sempre de Cristo, sua vida, morte e ressurreição, e lembrando do Pai a quem ele revelou.
- As reuniões para a oração da manhã e da tarde eram chamadas de “ofício divino”. Nelas, além da escuta da palavra de Deus, cantava-se os salmos.

b) O terço:
- Com o passar dos séculos, o povo cristão foi perdendo o costume de rezar os 150 salmos da Bíblia e também de se reunir para a oração da manhã e da tarde. No segundo milênio começou então a ser divulgada a oração do rosário (150 pedidos ou 150 ave-marias) e do “terço” do rosário (50 ave-marias). Uma forma de oração de repetição, muito simples, que ganhou “mistérios” para serem meditados ao longo da recitação das ave-marias. Os mistérios do rosário (e do terço) trazem presente a palavra de Deus e lembram os acontecimentos importantes da nossa fé, relacionados a Cristo e a Maria.
- Rezar o terço, nos últimos séculos, tornou-se um costume muito recomendado entre os católicos. Embora seja uma forma de oração mais apropriada para uso individual, ela é rezada em conjunto, como aparece na televisão.

c) O ofício divino:
- Nas últimas décadas a Igreja tem procurado recuperar a importância do ofício divino. A Igreja afirma que o ofício deve ser a oração preferida quando o povo de Deus tem ocasião de se reunir fora da celebração da eucaristia. Seja de manhã ou de tarde, seja no começo ou no fim de um retiro ou encontro de formação, como temos feito. O ofício divino não é uma oração exclusiva dos padres, diáconos e outros consagrados, mas sim de todos os batizados, sobretudo quando se reúnem em comunidade.
- No Brasil temos, atualmente, duas versões do ofício divino: uma chamada “Liturgia das horas”, que é tradução da versão preparada para a Igreja de todos os países do mundo; e outra versão é chamada “Ofício divino das comunidades”, essa que estamos usando; ela procura ser – como diz o próprio nome - uma adaptação da tradição do ofício para as comunidades brasileiras, ou seja, sua espiritualidade procura ser muito próxima à cultura comum das regiões de nosso país e às aspirações dos mais pobres.
- Duas vantagens, de imediato, podemos perceber na recuperação do uso do ofício divino. As comunidades cristãs e suas diversas pastorais e grupos, rezando (ou melhor, celebrando) o ofício divino, alimentam-se da riqueza da palavra de Deus e seus salmos e adquirem uma estrutura de oração. Além disso, celebrando o ofício divino com a poesia e a música de seus salmos e hinos, evita-se aquele tipo de oração muito “falada” e “racional”, que pouco alimenta a fé.

5. As orações em nossos encontros
- Como tem sido as orações dos nossos encontros?
- O que tem sido bom?
- E nossa comunidade reza o ofício? Quando?
- E nosso grupo?

6. Quando e como rezar o ofício:
O livro “Ofício divino das comunidades” traz roteiros de ofício para a oração da manhã e da tarde, para os domingos e dias da semana, em todos os tempos litúrgicos (tempo comum, tempo da quaresma, páscoa, advento e natal) e também para as festas litúrgicas (por exemplo, as festas de Maria). Podemos rezar o ofício em ocasiões diversas. Vejamos:

a) No grupo: Qualquer grupo da comunidade pode se reunir, no final de semana ou no domingo, para celebrar o ofício. O ofício pode também ser celebrado no início ou no fim da reunião do grupo. A escolha do roteiro, neste caso, deve levar em consideração a hora (manhã ou tarde) e o dia da semana, o tempo ou a festa litúrgica.
b) Na família: Podemos também celebrar o ofício com nossas famílias e escolher o roteiro do mesmo modo. Há também roteiros para ocasiões especiais: para a bênção de uma casa, para ação de graças (pelos aniversários, por exemplo), ofícios de súplica pelas diversas necessidades, ofício pelos enfermos. Há roteiros de ofícios para tempo de colheita e por ocasião de mutirões.
c) Na comunidade: Seria bom que toda comunidade tivesse pelo menos um dia de celebração do ofício, por semana. Fora isso, há roteiros para ocasiões especiais, por exemplo, quando se faz uma assembleia, um encontro de formação e outros encontros pastorais, para romarias, fora os que já foram lembrados acima.
d) No bairro: Certas lutas podem ser uma boa ocasião de um ofício divino. Não precisamos usar esse nome, porque as pessoas não conhecem. É melhor falar de “oração”. Também não precisamos ficar preocupados de acharem que é oração católica, porque o ofício pertence a tradição cristã, é bíblico e tem muito em comum com os cultos evangélicos.
e) Na escola: Da mesma forma como na família, na comunidade e no bairro, podemos celebrar o ofício em nossas escolas e universidades. Há um ofício pela paz, por exemplo. Os ofícios podem ser celebrados com grupos de estudantes católicos ou grupos de católicos e evangélicos, juntos. Podem servir igualmente para celebrações com grande número de pessoas.

7. Canto... [a ser escolhido pela coordenação, de acordo com a orientação da folha].

8. Nossa oração pessoal:
- Oramos sozinhos? Como?

9. Refrão:
“Indo e vindo, trevas e luz:
Tudo é graça. Deus nos conduz”.

10. A oração cristã

A oração na vida cristã


a) “Grande é o mistério da fé”. Esse mistério é professado pela Igreja no símbolo (ou “Creio”), é celebrado na liturgia e é vivido pelos fiéis (os batizados), para que a vida seja “configurada a Cristo no Espírito Santo para a glória de Deus Pai”, diz o mesmo catecismo. A fé, a celebração e a vida no mistério exigem uma “relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro” (n. 2558).
b) O que acham disso? Para viver o mistério da fé é preciso ter uma relação viva e pessoal com Deus?
c) Essa “relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro” é a oração. Já haviam pensado nisso?
A oração como dom de Deus d) A oração não vem do nosso orgulho e vontade própria. A oração vem das “profundezas”, como diz o Salmo 130: as profundezas de um coração contrito e humilde. A humildade é o fundamento da oração. Concordamos?
e) A oração é um dom recebido gratuitamente de Deus. A humildade, por sua vez, é a disposição para receber esse dom. O evangelho diz que quem se humilha será exaltado (cf. Lc 18,9-14). Podemos aceitar que a oração é um dom de Deus?
f) Santo Agostinho (bispo na África, no quinto século) é que fala assim da humildade na oração (cf. n. 2559). Ele diz que a pessoa humana é um mendigo de Deus. Qual o sentido? g) O evangelho da samaritana fala da nossa sede, fala da sede de Jesus e também do dom de Deus (cf. Jo 4,10). A oração é o encontro entre a sede de Deus e a nossa sede, diz também santo Agostinho (cf. n. 2561).
A oração como aliança
h) A pessoa reza com todo o seu ser, com todo o seu corpo. A Bíblia gosta de falar que a oração brota da alma ou do espírito e, sobretudo, do coração (mais de mil vezes). “É o coração que reza. Se ele está longe de Deus, a expressão da oração é vã” (n. 2562). É isso mesmo?
i) “O coração é a casa em que estou, onde moro (segundo a expressão semítica ou bíblica: aonde eu ‘desço’). Ele é nosso centro escondido, inatingível pela razão e por outra pessoa...” (n. 2563). Concordamos?
j) Continua o catecismo: só o Espírito de Deus pode sondar e conhecer nosso coração (n. 2563). O que acham?
k) O coração “... é o lugar da decisão, no mais profundo de nossas tendências psíquicas. É o lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte” (n. 2563).
l) O coração é “... o lugar do encontro, pois, à imagem de Deus, vivemos em relação; é o lugar da aliança” (n. 2563).
m) “A oração cristã é uma relação de aliança entre Deus e a pessoa humana em Cristo. É ação de Deus e da pessoa humana; brota do Espírito Santo e de nós, totalmente dirigida para o Pai, em união com a vontade humana do Filho de Deus feito pessoa humana”. O que compreendemos desta afirmação? Procuremos trocar em miúdos.
n) Podemos dizer também que a vida de oração consiste em estar habitualmente na presença de Deus e em comunhão com ele. Isso é bom?
o) Não podemos esquecer do segredo já conhecido por nós: essa comunhão de vida com Deus é possível porque “pelo batismo, nos tornamos um mesmo ser com Cristo” (cf. Rm 6,5) (n. 2565).
No Catecismo da Igreja Católica, em sua última parte, podemos encontrar outras informações sobre a oração cristã.

11. “Bendito seja Deus”. Cântico da Carta de S. Paulo aos Efésios (1,3-10).

Bendito seja Deus,
Pai do Senhor Jesus Cristo,
Por Cristo nos brindou
Todas as bênçãos do Espírito.


Pois juntamente com Cristo.
Antes de o mundo criar,
Deus já nos tinha escolhido
a fim de nos consagrar.
De amor oferta sem mancha, para adoção destinou;
seus filhos somos por Cristo,
De sua graça o louvor.

Pois sobre nós esta graça,
conforme havia traçado
Deus, nosso Pai, derramou
pelo seu Filho amado...
Que com seu sangue consegue
para nós a libertação,
a remissão dos pecados,
graça sem comparação!

Sim, derramou sobre nós
graça abundante e saber,
nos revelando o mistério,
plano do seu bem-querer...
De conduzir a história
à plena realização:
Cristo encabeça o universo,
terras e céus se unirão!

12. “Oração pessoal a partir da palavra de Deus”


a) Voltemos ao nosso Catecismo. Ele nos fala das “fontes da oração”, a saber: a palavra de Deus, a liturgia, a fé, a esperança e a caridade, e o “hoje” da nossa vida, ou seja, os acontecimentos de cada dia e de cada instante. Essas são fontes da vida cristã em que “Cristo nos espera para tirar a sede com o Espírito Santo (n. 2652).
b) Cristo é a grande fonte. Dele vem o Espírito Santo, a “água viva” que, no coração orante, “jorra para a vida eterna” (cf. Jo 4,14). O Espírito Santo, ao mesmo tempo, nos leva a buscar essa água em Cristo (n. 2652).
c) Orar a partir da palavra de Deus é um bom começo para a vida cristã. Os antigos diziam que pela leitura da Bíblia nos vem o “conhecimento de Cristo”, mas que essa leitura da Bíblia deve ser acompanhada pela oração. Não é uma simples leitura e sim leitura e oração juntas.
d) Com a leitura bíblica acompanhada pela oração é que se estabelece o diálogo entre Deus e o ser humano. Assim dizia santo Ambrósio (bispo na Itália, quarto século): Falamos a Deus quando rezamos e ouvimos a Deus quando lemos a Bíblia (cf. n. 2653).
e) Lembremos o que diz Mt 7,7: “Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês!”. O que nos diz o Cristo?
f) Antigos pais e mães espirituais usavam essa frase para falar sobre a junção leitura bíblica e oração: “Procurai pela leitura, e encontrareis meditando; batei orando, e vos será aberto pela contemplação”. Resumindo: o coração é alimentado pela escuta da palavra de Deus em clima de oração. (cf. n. 2654).

13. Conversa dois a dois: Já oramos dessa forma, alguma vez, não? É possível orar assim? É legal, por quê?

 

14. “Três chaves para orar a partir dos textos bíblicos e dos salmos”


a) Acompanhar com a mente o que é lido.
b) Acolher “de coração” o que é afirmado no texto e os sentimentos que dele emergem.
c) No final, repetir no coração aquilo que lhe calou mais fundo e manter a atenção nesse ponto.

15. Salmo 23 [ou outra versão mais conhecida]


Vós sois meu Pastor, ó Senhor, nada me faltará se me conduzis.


- Em verdes pastagens, me leva a repousar.
Em fontes bem tranquilas, as forças recobrar.

 

- Por justos caminhos, meu Deus, vem me guiar.
De todos os perigos, meu Deus, vem me livrar.

- Meu Deus junto a mim, o mal não temerei,

seguro em seu cajado, tranquilo eu estarei.

4. Me preparais a mesa, perante o opressor,

me perfumais a fronte, minha taça transbordou.

- Felicidade e amor, sem fim me seguirão,

um dia em vossa casa, meus dias passarão.

16. Conversa (5 min): Vamos ler, individualmente, o salmo e tentemos usar as três chaves...

17. Como orar os salmos no ofício ou individualmente
a) Atitude na oração do salmo: sentados em banco ou cadeira, assumindo uma postura corporal adequada; atitude de atenção; cantar com disposição e prazer; entregar-se a essa prática (ficar inteiro).
b) Cantar em dois coros; lembrar-se e ouvir Cristo cantando pela voz do outro colega.
c) Acompanhar com a mente o que é cantado.
d) Assumir as afirmações e os sentimentos do salmo...
e) No final do salmo, repetir no coração aquilo que lhe calou mais fundo; manter a atenção nesse ponto. [Algumas vezes abre-se a oportunidade de se repetir a frase ou a palavra que tocou a cada um: não fazer mecanicamente, ouvir o outro, não é preciso que todos repitam].
b) Orar... Contemplar...

18. Atividade para casa: Leitura e oração a partir do evangelho de cada dia.

 

 

Material elaborado por Domingos Ormonde com a colaboração do Irmão Francisco Dias e Penha Carpanedo.