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EUCARISTIA - SANTA CEIA - Parte 1 - 7º Encontro

LITURGIA E VIDA: caminho de espiritualidade, jovens e adultos

Este é o sétimo roteiro da série "Liturgia e Vida", voltada para a formação espiritual dos/as jovens. Os roteiros são preparados para encontros de quatro horas de duração e procuram trabalhar os elementos básicos da espiritualidade litúrgica. Um dos objetivos deste material é ajudar os/as jovens a descobrirem na liturgia uma fonte permanente de espiritualidade, no seguimento de Jesus.


Roteiro para os coordenadores

 Material: folha dos participantes e gravuras de Emaús (se possível).



1. Preparação do ambiente


2. Chegada e acolhimento


3. Ofício ou oração inicial
(30 ou 10 min)
4. Recordação da vida
(10 min)

5. Retomada da atividade de casa: Oração cotidiana - leitura e oração a partir do evangelho do dia (15 min). [Folha, n. 1 e 2]

6. Canto: “Andavam pensando” (5 min). [Folha, n. 3]


7. Conversa: A Missa e o encontro com Cristo em Emaús (20 min). [Nessa conversa pode-se usar gravuras da passagem bíblica]. [Folha, n. 4]

8. Refrão: “Fica conosco, Senhor” (5 min). [Folha, n. 5]

9. Exposição: Presença de Cristo na Missa (10 min). [Talvez na conversa anterior alguns participantes já tenham explicitado algumas das formas de presença de que vamos tratar neste momento. Mesmo assim, a exposição serve para que todos possam compreender melhor o tema]. [Folha, n. 6]

10. Expressão corporal: A reação dos discípulos no encontro com Cristo em Emaús (15 min). [Um coordenador primeiramente relembra com os participantes a reação dos discípulos (Folha, n. 7). Depois pede que um dos participantes venha ao centro (ou à frente) e faça as duas cenas através do corpo, sem usar palavras e sem fazer mímica. Para isso é preciso que a pessoa faça silêncio, concentre-se e assuma, de forma verdadeira, os sentimentos e a fé dos discípulos de Emaús. Tendo o primeiro participante terminado a expressão corporal, outros podem fazer o mesmo].

11. Conversa: Nosso encontro com Cristo na Missa (10 min). [Folha, n. 8]

12. Cochicho: Nossa experiência (5 min). [Folha, n. 9]

13. Plenário (10 min)

14. Complementação optativa: Uma interpretação do Salmo 23(22) a partir da Eucaristia (50 min). [Ver anexo no final da folha dos participantes. A decisão sobre o seu uso desta parte será feita pelos coordenadores e depende do tempo que o grupo dispor. Gasta-se mais uns 50 minutos. Os conteúdos do anexo podem ser usados neste encontro e neste momento, como também podem ser usados no final do próximo encontro, no término do tema da Eucaristia. O anexo oferece uma leitura do salmo do bom pastor a partir do mistério da Eucaristia. Nele estão orientações para os coordenadores, e textos e perguntas para a folha dos participantes. Caso seja usado o anexo, deve ser incluído nas respectivas folhas].

15. Intervalo (30 min).

 

16. Exposição: Tipos de participação na liturgia (15 min). [Folha, n. 10]

17. Conversa: Nossa participação nos ritos da liturgia (5 min). [Folha 11]

18. Exposição e vivência: Participação nos ritos iniciais da Missa. (30 min). [O conteúdo é apresentado e depois é feito com os participantes (em conjunto) apenas a vivência da oração inicial. Pode-se em seguida voltar aos “tipos de participação” e verificar como esses tipos podem ser aplicados à prática da oração final]. [Folha, n. 12]

19. Oração final ou ofício (10 ou 30 min)

20. Atividades para casa (10 min)

21. Lanche e confraternização

 

 

EUCARISTIA – SANTA CEIA – PRIMEIRA PARTE

Folha dos participantes

 


1. Oração cotidiana
a) Estamos tentando reservar um tempo do nosso dia para a oração?
b) Quais as dificuldades?
c) A oração diária faz bem à nossa vida?

2. Leitura e oração a partir do evangelho de cada dia
a) Podemos retomar agora a sugestão dada em nossos encontros para a oração em casa. Lembram?
b) Temos lido dessa forma o evangelho de cada dia?
c) Como tem sido essa “escuta da palavra de Deus” nas orações?
d) E nas celebrações da comunidade?

3. Canto: “Andavam pensando”... (Lucas 24,13-35)

- Andavam pensando, tão tristes, de Jerusalém a Emaús, os dois seguidores de Cristo, logo após o episódio da cruz. Enquanto assim vão conversando, Jesus se achegou devagar: “de que vocês vão palestrando?” E ao Senhor não puderam enxergar.

 

Fica conosco, Senhor, é tarde e a noite já vem!

Fica conosco, Senhor, somos teus seguidores também!

- Não sabes então forasteiro aquilo que aconteceu? Foi preso Jesus Nazareno, Redentor que esperou Israel. Os chefes a morte tramaram do santo profeta de Deus; o justo foi crucificado, a esperança do povo morreu.

- Três dias enfim se passaram, foi tudo uma doce ilusão; um susto as mulheres pregaram: não encontraram seu corpo mais não. Disseram que ele está vivo, que disso souberam em visão. Estava o sepulcro vazio, mas do mestre ninguém sabe não.

- Jesus foi então relembrando: pro Cristo na glória entrar, profetas já tinham falado, sofrimentos devia enfrentar. E pelo caminho afora ardia-lhes o coração: falava-lhes das escrituras, explicando a sua missão.

- Chegando, afinal, ao destino, Jesus fez que ia passar, mas eles demais insistiram: “vem Senhor, vem conosco ficar”! Sentado com eles à mesa, deu graças e o pão repartiu; dos dois foi tão grande a surpresa: “Jesus Cristo o Senhor ressurgiu”.

4. A Missa e o encontro com Cristo em Emaús
a) Depois de sua morte e ressurreição, Cristo encontrou-se com os seus discípulos naquele lugar chamado Emaús, como já vimos. Lembram, parte por parte, aquilo que aconteceu? Alguém pode começar e os outros vão ajudando a recordar esse encontro.
b) O que é semelhante entre o encontro de Emaús e a Missa?
c) E o que é diferente?
d) A Missa tem um começo (ritos iniciais) e um encerramento (ritos finais). Fora isso, a Missa tem duas partes principais: a liturgia da Palavra de Deus e a liturgia da Eucaristia. Lembram disso? Podemos dizer como acontece cada uma delas?
e) O encontro de Cristo em Emaús também tem duas partes principais. Quais são?
f) As duas partes do encontro de Emaús parecem com as duas partes da Missa? O que parece?
g) O que é diferente?
h) Na Missa Cristo se faz presente o tempo todo. Como ele se faz presente nas duas partes principais da Missa?
i) Cristo faz na Missa a mesma coisa que ele fez em Emaús? O quê?
j) Durante a Missa temos consciência da presença de Cristo?

5. Refrão: “Fica conosco, Senhor”

Fica conosco, Senhor, é tarde e a noite já vem! Fica conosco, Senhor, somos teus seguidores também!

6. Presença de Cristo na Missa

a) Cristo está presente em sua Igreja para continuar sua missão, não apenas na liturgia. Cristo está presente também na vida e na missão da Igreja: na fraternidade vivida entre seus membros, na aproximação aos membros das igrejas cristãs e outras religiões, no trabalho pela paz no mundo, na caridade para com os pobres, nas iniciativas de evangelização, na catequese e em outras ações.
b) Não podemos esquecer o que diz, no entanto, um documento importante da Igreja: Para continuar sua missão “... Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas” (SC, n. 7). Isso mesmo, Cristo está presente de uma forma muito especial na liturgia. No próximo encontro vamos retomar o tema do mistério pascal para aprofundar o sentido dessa presença.
c) Focalizamos agora a Missa. Cristo está presente ao longo de toda a Missa. Por isso em alguns momentos o padre aclama: “O Senhor esteja convosco”. E todos confirmam juntos: “Ele está no meio de nós”. Dizemos assim que ele está presente em nosso meio. Vejamos as formas dessa presença:
d) Cristo está presente na pessoa do ministro principal. Sempre é Cristo que entrega sua vida através do padre que preside a Missa. É a força de Cristo que age através de quem preside.
e) Cristo está presente “... sobretudo sob as espécies eucarísticas”, ou seja, no Pão e no Vinho, seu Corpo e Sangue, sua vida entregue por nós.
f) “Presente está pela sua Palavra, pois é ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na igreja”.
g) “Está presente finalmente quando a Igreja ora e salmodia, ele que prometeu: ‘Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles’ (Mt 18,20)”. Está presente também na assembleia.
h) Portanto, Cristo está presente na Igreja, na Missa e em todas as celebrações litúrgicas. Na liturgia Deus é “perfeitamente glorificado” e a pessoa humana é transformada (“santificada”). Cristo está presente na liturgia e nela ele age junto a sua Igreja.

7. A reação dos discípulos no encontro com Cristo em Emaús

Ao narrar o encontro de Emaús, o evangelho diz que os discípulos “contaram o que tinha acontecido no caminho” e como tinham reconhecido Cristo “ao partir do pão”. Assim:
a) No primeiro momento do encontro de Emaús: No caminho, enquanto Cristo falava, os corações dos discípulos ficaram ardendo.
b) No segundo momento do encontro de Emaús:
Dentro de casa, junto à mesa, Cristo “tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu o pão e deu a eles (...). Nesse momento seus olhos se abriram e eles o reconheceram”.

8. Nosso encontro com Cristo na Missa
a) Em Emaús, o encontro dos discípulos com Cristo foi importante para a sua fé:
- Os corações dos discípulos arderam.
- Os olhos se abriram e eles reconheceram Cristo.
- Os discípulos ganharam entusiasmo e saíram para dar testemunho de Cristo.
b) O que significa mesmo que os corações deles “arderam”?
c) O que significa que os olhos deles “se abriram”?
d) E “dar testemunho” o que quer dizer?
e) Na Missa, a liturgia da Palavra aquece o nosso coração. E a liturgia da Eucaristia abre nossos olhos para perceber a presença do Cristo. Também nos leva a dar testemunho na vida, fora da Missa. Concordam?
Nossa experiência.
Quando participamos da Missa, acontece conosco algo parecido com o que aconteceu com os discípulos de Emaús?
E quando participamos da Celebração dominical da Palavra de Deus, acontece o mesmo?

10. Tipos de participação na liturgia da Igreja. Quem nos ajuda a entender este assunto é a liturgista irmã Ione Buyst¹. Vamos prestar atenção.

“Há vários tipos de participação na liturgia: ativa, externa, interior, consciente, plena, frutuosa.
a) Participação ativa: por meio do canto, das respostas e aclamações, das procissões, dos gestos etc.
b) Essa participação é necessariamente externa porque dela toma parte todo o nosso corpo; mas ela deve ser ao mesmo tempo uma participação interior: a nossa mente e o nosso coração devem acompanhar as palavras que dizemos ou cantamos, a leitura ou a homilia que ouvimos, a mão e a boca que recebem a comunhão, os nossos pés que avançam em procissão, a nossa boca que beija a cruz ou a Bíblia, ou a toalha do altar... E isso não é trabalho só da gente; é também a graça de Deus atuando em nós.
c) Participação consciente: quando compreendemos aquilo que estamos celebrando e não o fazemos por rotina ou hábito, mas sabendo e querendo, com o pleno consentimento de nossa vontade.
d) Participação plena: à medida que ficamos cada vez mais unidos a Cristo e somos transformados nele, transfigurados nele, divinizados, santificados pela ação do seu Espírito em nós.
e) Participação frutuosa: quando aquilo que vivemos na celebração dá seu fruto em nossa vida.
Convertemos o coração, começamos a perdoar, a nos doar mais, a pensar menos em nós mesmos e mais nos outros..., a arriscar até nossa vida por amor aos irmãos, para que tenham uma vida mais justa e digna, e para que o Reino de Deus possa vingar entre nós e acabar com toda forma de opressão”.

11. Nossa participação nos ritos da liturgia
a) Desses tipos de participação na liturgia qual chama mais a sua atenção? Por quê?
b) Que tipo de participação na liturgia é mais fácil e mais difícil para nós?
c) Como ajudar os outros jovens a ter uma participação melhor na liturgia?

12. Participação nos ritos iniciais da Missa
a) A chegada na igreja. Para trocar opinião e experiência com os outros: o que fazemos quando chegamos na igreja, vindo para a Missa? E enquanto não começa a Missa, o que podemos fazer?
b) O canto de abertura. Nesse, e em outros cantos da assembleia, procuramos cantar unidos aos demais participantes, cantar “a uma só voz”. Ou seja: vivenciar a unidade com todos através do canto. Não devemos esquecer: é Cristo que canta através da assembleia.
Para o canto de abertura, ficamos em pé. A atitude interior é de ir ao encontro do Senhor que vem a nós na celebração.
c) A saudação ou bênção inicial. Logo depois do sinal da cruz, quem preside diz: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”. E nós (assembleia) aclamamos: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”. Nessa reunião estamos na graça, no amor e na comunhão de Deus. Deus é bendito, louvado, porque ele mesmo nos trouxe e nos reuniu “no amor de Cristo”. Nossa atitude é de abertura e satisfação.
d) Ato penitencial. Nesse momento permanecemos em pé, mas o nosso coração “se ajoelha” para pedir perdão a Deus por nossos pecados. Deus nos purifica para a comunhão com ele e os irmãos.
e) Súplica. Em algumas Missas, além do ato penitencial, é feita uma invocação a Cristo: “Senhor, tende piedade de nós”, “Cristo, tende piedade de nós”. Assim pedimos a compaixão dele por nós, reunidos, e por toda a humanidade, com seus sofrimentos e necessidades.
f) Hino de louvor. Esse hino, que começa com a palavra “glória”, proclama a grandeza do Pai e de Jesus Cristo e a Jesus Cristo pede auxílio. Ele é muito antigo e tem ganhado melodias diferentes em cada época. Conhecemos algumas recentes.
g) Oração inicial. Conclui os ritos iniciais. Quando o padre diz “oremos” e faz uma pausa, ele está convidando a assembleia a silenciar, ficar concentrada e, no coração, entrar em oração. Se quisermos, podemos inclinar a cabeça e fechar os olhos, segundo a tradição dos monges. Assim podemos ficar até o final da oração - que o padre faz em nome de todos. No final confirmamos o pedido da oração, dizemos “amém” e erguemos a cabeça.

13. Para casa:
1º) Leitura do Catecismo da Igreja Católica(CIC), sobre o início da Eucaristia com Jesus, n. 1337 a 1340 (“A instituição da Eucaristia”) e sobre o mandamento de Jesus de celebrar a Eucaristia, n. 1341 a 1344 (“Fazei isto em memória de mim”). Quem puder, pode também ler sobre como era a Missa há 1.800 anos atrás e como ela é hoje, n. 1345 a 1355.

2º ) Procurar participar da Missa de forma ativa (externa e interior), consciente, plena e frutuosa.

ANEXO 1: O salmo 23 e a Eucaristia

Para o roteiro dos coordenadores:
1. Canto do salmo 23 (22) (5 min). [Folha, n. 1]
2. Conversa: Mistagogia do salmo 23(22) (15 min). [Folha, n. 2]
3. Grupos (15 min). [Folha, n. 3]
4. Plenário (15 min).

Para a folha dos participantes:
1. Uma versão do Salmo 23(22):

- Pelos prados e campinas verdejantes, eu vou... É o Senhor que me leva a descansar. Junto às fontes de águas puras, repousantes, eu vou! Minhas forças o Senhor vai animar.

Tu és Senhor, o meu Pastor. Por isso, nada em minha vida faltará! (bis)

- Nos caminhos mais seguros junto dele, eu vou!
E pra sempre, o seu nome eu honrarei. Se eu encontro mil abismos nos caminhos, eu vou!
Segurança sempre tenho em suas mãos.

- No banquete em sua casa, muito alegre, eu vou!
Um lugar em sua mesa, me preparou.
Ele unge minha fronte e me faz ser feliz.
E transborda a minha taça em seu amor.

- Co’alegria e esperança caminhando eu vou!
Minha vida está sempre em suas mãos.
E na casa do Senhor, eu irei habitar e este canto para sempre irei cantar!

2. Interpretação do Salmo 23 (22) a partir da Eucaristia
a) O salmo 23(22) e os demais salmos são Palavra de Deus para nós, mas tem uma forma poética e usa imagens poéticas. Gostamos das poesias de algum poeta em particular, mulher ou homem? Qual?
b) O poeta escreve diferente, não é? De que forma escrevem os poetas?
c) Dos autores de música, quais consideramos bons poetas?
d) Pois é, o salmo 23(22) é poético. Nele Deus é chamado de pastor no sentido de cuidador de pessoas. Assim como o boiadeiro cuida do gado, o pastor cuida das ovelhas. A ação de Deus em nossa vida é como a ação de um cuidador de pessoas idosas ou de crianças, como um cuidador de plantas. O que faz um cuidador?
e) Deus é o pastor, o cuidador. E como conhecemos a Cristo, o Filho de Deus, imagem e semelhança do Pai, podemos dizer: Cristo é o nosso pastor e nós somos suas ovelhas. Alguém já viu uma ovelha de perto? O que vocês sabem sobre as ovelhas e os pastores de ovelhas? (O assunto serve para uma boa pesquisa na internet).
f) Um irmão nosso de fé, fez essa versão que cantamos e deu a esse salmo um tratamento poético próprio (do seu jeito). Nossa mistagogia, desta vez, precisa levar em conta também o modo de falar desse poeta. Se a gente procurar este salmo na Bíblia, vamos ver que ele é mais simples do que a versão que estamos usando aqui. Conhecemos outra versão desse salmo?
g) As duas primeiras linhas dizem assim: “Pelos prados e campinas verdejantes eu vou. É o Senhor que me leva a descansar”. O que significa “verdejantes”? Simplesmente verde?
h) Verdejante parece se referir a algo repleto de vida em si, e que manifesta e “dá vida”, vivifica, podemos dizer. Deus nos leva a prados e campinas verdejantes e nos faz “descansar”? Alguém já teve essa experiência?
i) A ação “vivificante” de Deus acontece para todas as pessoas e na vida, de modo geral. Deus é a origem e o destino de toda a humanidade, de todas as pessoas. Deus age naqueles que se abrem para o bem. Já pensaram nisto?
j) Apesar dessa ação de Deus na vida, podemos meditar sobre a ação de Deus, de Cristo, na liturgia de modo geral e nos sacramentos como um todo (principalmente nos sacramentos de iniciação cristã) e, de modo particular na Missa. Ela é o tema desse nosso encontro. Ela pode ser chamada também de Santa Ceia, Eucaristia ou Celebração Eucarística. Vocês já ouviram ou leram esses outros nomes da Missa?
k) Neste salmo há palavras e expressões que podem manifestar o mistério da Missa e da Comunhão eucarística. Vamos juntos entrar nesse mistério, procurando dizer o porquê de cada afirmação.

 

 
A Eucaristia acontece no caminho...

A Eucaristia é prado (comida) verdejante...

A Eucaristia é campina (lugar plano e extenso) verdejante...

A Eucaristia é descanso...
A Eucaristia anima as forças...

A Eucaristia dá segurança no caminho...

A Eucaristia é presença do Senhor...

A Eucaristia é proximidade do Senhor...

A Eucaristia é honra ao nome do Senhor...

A Eucaristia traz segurança diante dos abismos...

A Eucaristia é fonte de água pura...

A Eucaristia é fonte de água repousante...

A Eucaristia é banquete na casa do Senhor (Igreja dos irmãos)...

A Eucaristia é sentar à mesa do Senhor...

A Eucaristia é taça transbordante do amor do Senhor...

A Eucaristia dá alegria e esperança no caminho...

A Eucaristia dá a certeza de ir habitar na casa do Senhor (Céu)...

 



Queremos destacar outros aspectos sobre a Eucaristia ou sobre este salmo?


3. Para conversar em grupo:
a) Retomem as afirmações acima sobre a Missa e a Eucaristia. Verifiquem se podemos falar a mesma coisa a respeito da Celebração Dominical da Palavra, mesmo se não houver distribuição da Comunhão. Isso acontece em muitas comunidades católicas onde são grandes as distâncias, como na Amazônia.
b) Por que precisamos da presença do Senhor em nossa vida?

 

EUCARISTIA – SANTA CEIA – PRIMEIRA PARTE
Leituras para casa



A instituição da Eucaristia
1. Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor. Para lhes deixar uma garantia deste amor, para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso, “constituindo-os, então, sacerdotes do Novo Testamento”. [CIC 1337].
2. Os três evangelhos sinóticos e São Paulo transmitiram-nos a narração da instituição da Eucaristia. Por seu lado, São João refere às palavras de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, palavras que preparam a instituição da Eucaristia: Cristo designa-se a si próprio como o pão da vida, descido do céu. [CIC 1338].
3. Jesus escolheu a altura da Páscoa para cumprir o que tinha anunciado em Cafarnaum: dar aos seus discípulos o seu corpo e o seu sangue: Veio o dia dos Ázimos, em que devia imolar-se a Páscoa. [Jesus] enviou então a Pedro e a João, dizendo: “Ide preparar-nos a Páscoa, para que a possamos comer” [...]. Partiram pois, [...] e prepararam a Páscoa. Ao chegar a hora, Jesus tomou lugar à mesa, e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes então: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer. Pois vos digo que não voltarei a comê- -la, até que ela se realize plenamente no Reino de Deus”. [...] Depois, tomou o pão e, dando graças, partiu-o, deu-lho e disse-lhes: “Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim”. No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice e disse: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc 22, 7-20). [CIC 1339].
4. Celebrando a última ceia com os seus Apóstolos, no decorrer do banquete pascal, Jesus deu o seu sentido definitivo à Páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus para o seu Pai, pela sua morte e ressurreição – a Páscoa nova – é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia, que dá cumprimento à Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino. [CIC 1340]. O mandamento de Jesus de celebrar a eucaristia
5. Ao ordenar que repetissem os seus gestos e palavras, “até que Ele venha” (1 Cor 11, 26), Jesus não pede somente que se lembrem d’Ele e do que Ele fez. Tem em vista a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida, morte, ressurreição e da sua intercessão junto do Pai. [CIC 1341].
6. Desde o princípio, a Igreja foi fiel à ordem do Senhor. Da Igreja de Jerusalém está escrito: Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. [...] Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração (At 2, 42.46). [CIC 1342].
7. Era, sobretudo “no primeiro dia da semana”, isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam “para partir o pão” (At 20, 7). Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou- se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental. Ela continua a ser o centro da vida da Igreja. [CIC 1343].
8. Assim, de celebração em celebração, anunciando o mistério pascal de Jesus “até que Ele venha”(1Cor 11,26), o Povo de Deus em peregrinação “avança pela porta estreita da cruz” para o banquete celeste, em que todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino. [CIC 1344].
A missa ao longo dos séculos
9. Desde o século II, temos o testemunho de São Justino, mártir, sobre as grandes linhas do desenrolar da celebração eucarística. Permaneceram as mesmas até aos nossos dias, em todas as grandes famílias litúrgicas. Eis o que ele escreve, cerca do ano 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que fazem os cristãos:
No dia que chamam Dia do Sol, realiza-se a reunião num mesmo lugar de todos os que habitam a cidade ou o campo. Leem-se as memórias dos Apóstolos e os escritos dos Profetas, tanto quanto o tempo o permite. Quando o leitor acabou, aquele que preside toma a palavra para incitar e exortar à imitação dessas belas coisas.
Em seguida, levantamo-nos todos juntamente e fazemos orações (...) por nós mesmos [...] e por todos os outros, [...] onde quer que estejam, para que sejamos encontrados justos por nossa vida e ações, e fiéis aos mandamentos, e assim obtenhamos a salvação eterna. Terminadas as orações, damo-nos um ósculo uns aos outros. Depois, apresenta-se àquele que preside aos irmãos pão e uma taça de água e vinho misturados. Ele toma-os e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, pelo nome do Filho e do Espírito Santo, e dá graças (em grego: eucharistian) longamente, por termos sido julgados dignos destes dons. Quando ele termina as orações e ações de graças, todo o povo presente aclama: Ámem. [...] Depois de aquele que preside ter feito a ação de graças e de o povo ter respondido, aqueles a que entre nós chamamos diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água “eucaristizados” e também os levam aos ausentes. [CIC 1345].
10. A liturgia eucarística processa-se em conformidade com uma estrutura fundamental, que se tem conservado através dos séculos até aos nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos, que formam basicamente uma unidade: – a reunião, a liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal; – a liturgia eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão.
11. Liturgia da Palavra e liturgia eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato de culto”. Com efeito, a mesa posta para nós na Eucaristia é, ao mesmo tempo, a da Palavra de Deus e a do corpo do Senhor. [CIC 1346].
12. Não é esse também o dinamismo da refeição pascal de Jesus Ressuscitado com os seus discípulos? Enquanto caminhavam, Ele explicava-lhes as Escrituras; depois, pondo-se à mesa com eles, “tomou o pão, proferiu a bênção, partiu-o e deu-lho”. [CIC 1347].

O desenrolar da celebração
13. Todos se reúnem. Os cristãos acorrem a um mesmo lugar para a assembleia eucarística. À sua cabeça está o próprio Cristo, que é o ator principal da Eucaristia. Ele é o Sumo-Sacerdote da Nova Aliança. É Ele próprio que preside invisivelmente a toda a celebração eucarística. E é em representação d’Ele (...) (agindo in persona Christi capitis – na pessoa de Cristo-Cabeça), que o bispo ou o presbítero preside à assembleia, toma a palavra depois das leituras, recebe as oferendas e diz a oração eucarística. Todos têm a sua parte ativa na celebração, cada qual a seu modo: os leitores, os que trazem as oferendas, os que distribuem a comunhão e todo o povo cujo Ámen manifesta a participação. [CIC 1348].
14. A liturgia da Palavra comporta “os escritos dos Profetas”, quer dizer, o Antigo Testamento, e “as Memórias dos Apóstolos” ou seja, as suas epístolas e os evangelhos. Depois da homilia, que é uma exortação a acolher esta Palavra como o que ela é na realidade, Palavra de Deus, e a pô-la em prática, vêm as intercessões por todos os homens, segundo a palavra do Apóstolo: “Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade” (1Tm 2,1-2). [CIC 1349].
15. A apresentação das oferendas (ofertório): traz-se então para o altar, por vezes processionalmente, o pão e o vinho que vão ser oferecidos pelo sacerdote em nome de Cristo no sacrifício eucarístico, no qual se tornarão o seu corpo e o seu sangue. É precisamente o mesmo gesto que Cristo fez na última ceia, “tomando o pão e o cálice”. “Só a Igreja oferece esta oblação pura ao Criador, oferecendo-Lhe em ação de graças o que provém da sua criação”. A apresentação das oferendas no altar assume o gesto de Melquisedec e põe os dons do Criador nas mãos de Cristo. É Ele que, no seu sacrifício, leva à perfeição todas as tentativas humanas de oferecer sacrifícios. [CIC 1350].
16. Desde o princípio, com o pão e o vinho para a Eucaristia, os cristãos trazem as suas ofertas para a partilha com os necessitados. Este costume, sempre atual, da coleta inspira-se no exemplo de Cristo, que Se fez pobre para nos enriquecer: Os que são ricos e querem, dão, cada um conforme o que a si mesmo se impôs; o que se recolhe é entregue àquele que preside e ele, por seu turno, presta assistência aos órfãos, às viúvas, àqueles que a doença ou qualquer outra causa priva de recursos, aos prisioneiros, aos imigrantes, numa palavra, a todos os que sofrem necessidade . [CIC, n. 1351].
17. A anáfora: Com a oração eucarística, oração de ação de graças e de consagração, chegamos ao coração e cume da celebração: no prefácio, a Igreja dá graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, por todas as suas obras: pela criação, redenção e santificação. Toda a comunidade une, então, as suas vozes àquele louvor incessante que a Igreja celeste – os anjos e todos os santos – cantam ao Deus três vezes Santo: [CIC 1352].
18. Na epiclese, pede ao Pai que envie o seu Espírito Santo (ou o poder da sua bênção) sobre o pão e o vinho, para que se tornem, pelo seu poder, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, e para que os que participam na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito. (Algumas tradições litúrgicas colocam a epiclese depois da anamnese); [CIC 1353].
19. Na narração da instituição, a força das palavras e da ação de Cristo e o poder do Espírito Santo tomam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o corpo e o sangue do mesmo Cristo, o seu sacrifício oferecido na cruz de uma vez por todas; na anamnese que se segue, a Igreja faz memória da paixão, ressurreição e regresso glorioso de Cristo Jesus: e apresenta ao Pai a oferenda do seu Filho, que nos reconcilia com Ele: nas intercessões, a Igreja manifesta que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, dos vivos e dos defuntos, e na comunhão com os pastores da Igreja: o Papa, o bispo da diocese, o seu presbitério e os seus diáconos, e todos os bispos do mundo inteiro com as suas Igrejas. [CIC 1354].
20. Na comunhão, precedida da Oração do Senhor e da fração do pão, os fiéis recebem “o pão do céu” e “o cálice da salvação”, o corpo e o sangue de Cristo, que se entregou “para a vida do mundo” (Jo 6, 51): Porque este pão e este vinho foram, segundo a expressão antiga,”eucaristizados”, “chamamos a este alimento Eucaristia; e ninguém pode tomar parte nela se não acreditar na verdade do que entre nós se ensina, se não recebeu o banho para a remissão dos pecados e o novo nascimento e se não viver segundo os preceitos de Cristo” [CIC 1355].

Material elaborado por Domingos Ormonde com a colaboração do Irmão Francisco e Penha Carpanedo.

 

¹Ione BUYST, Celebração do domingo ao redor da palavra de Deus, São Paulo: Paulinas, 2002, p. 30-31.