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TEMPO PASCAL E DOMINGO - 3º Encontro

LITURGIA E VIDA: caminho de espiritualidade, jovens e adultos

Este é o terceiro roteiro da série "Liturgia e Vida", voltada para a formação espiritual dos/as jovens. Os roteiros são preparados para encontros de quatro horas de duração e procuram trabalhar os elementos básicos da espiritualidade litúrgica. Um dos objetivos deste material é ajudar os/as jovens a descobrirem na liturgia uma fonte permanente de espiritualidade, no seguimento de Jesus.


Roteiro para os coordenadores

 

Material:
- Livro ou Folha com oração inicial e final (preparada pelos coordenadores)
- Folha com os textos a serem usados durante o encontro (cf. abaixo)
- Folha com os textos de leitura para casa (cf. n.22 do roteiro)
- Bíblia (que os participantes devem trazer).

 



1. Preparação do ambiente


2. Chegada e acolhida


3. Oração inicial (20 min) [Folha com a oração inicial e oração final]


4. Recordação da vida (10 min)


5. Retomada das atividades de casa (15 min)


6. Canto (5 min): Lembrança de trechos de cantos do tempo pascal.

 

7. Exposição (10 min): O sentido do tempo pascal. [Folha, n. 1]

8. Canto (5 min): “Senhor, venceste a morte” (CD liturgia XV, faixa 4). [Folha, n. 2]

9. Leitura bíblica (15 min). Leitura e comentários, com a participação de todos, de Jo 20,19-29. Indicação do texto [Folha, n. 3]. Contexto: dois encontros do Ressuscitado com a comunidade: a) no primeiro dia da semana, mesmo dia da ressurreição; comunidade reunida; o Ressuscitado é o Crucificado; dom da paz; envio; sopro e dom do Espírito; dom do perdão; b) no oitavo dia depois da ressurreição; final do dia; sentido do “oitavo dia”; o Crucificado Ressuscitado é Senhor e Deus.

 

10. Canto (5 min) “Hoje é dia de festa”. [Folha, n. 4]

11. Intervalo (20 min)

12. Conversa dois a dois (10 min): Os encontros de Cristo com a comunidade cristã, no texto que lemos, são parecidos com as nossas celebrações dominicais? Em quê? [Folha, n. 5]

13. Plenário (10 min)

14. Exposição (20 min): O domingo, dia do Senhor. [Folha, n. 6]

15. Canto e mistagogia (15 min): “Canta, meu povo”. [Ou outro canto equivalente]. [Folha, n. 7] Um coordenador vai orientando o trabalho. Depois de cantar o hino, os participantes são convidados a uma leitura silenciosa e atenta do mesmo. Feito isto, abre-se espaço para que eles falem da letra e da música. Algumas perguntas poderão ajudar. Na folha dos participantes há alguns elementos de interpretação.

 
16. Exposição (10 min): Elementos pascais da celebração do domingo: reunião dos batizados, sinal da cruz, ato penitencial, aspersão, aleluia da aclamação ao evangelho, aclamação “Ele está no meio de nós”, creio, eucaristia. [Folha, n. 8]


17. Intervalo (20 min).


18. Dinâmica (15 min): Círculos concêntricos. Sugestões de como viver o sábado e o domingo. Dois círculos, com o número igual de participantes. Um círculo sentado de frente para o outro círculo. Um participante dá suas sugestões ao outro que está na sua frente, e vice-versa. Depois de alguns minutos a coordenação pede que os que estão no círculo externo mudem para a cadeira do lado esquerdo. Repete-se a troca de opiniões e novamente a roda se movimenta. A troca de parceiros se realiza quantas vezes a coordenação achar necessário. [Folha, n. 9]


19. Plenário (10min). Cada um que desejar, lembra uma sugestão trocada nos círculos.


20. Exposição (5 min): Sinal da cruz como invocação da páscoa do Senhor sobre si. Lembrar o costume de trazer uma cruz no pescoço ou de ter uma cruz em casa, na sala e no quarto (sobre a cama). O sinal da cruz nas celebrações, ao despertar, ao deitar, na hora das refeições e dos perigos. [Folha, n. 10]


21. Oração final (10 min). Canto “Nossa glória é a cruz”, preces espontâneas, sinal da cruz. [Folha, n. 11]


22. Atividades para casa (10 min). [Folha, n.12]

Os trechos do Catecismo da Igreja Católica serão fornecidos aos participantes pela internet ou numa folha (cf. abaixo)


23. Encerramento

 

 

 

Terceiro encontro
TEMPO PASCAL E DOMINGO
Textos para os participantes

 

 

1. O sentido do tempo pascal
- A quaresma, como já vimos, é a preparação para o tríduo pascal, a comemoração anual do mistério pascal de Cristo. E como o Senhor quis que nós fizéssemos parte desse mistério, a cada ano, com os irmãos e irmãs de nossa comunidade, confirmamos nossa a nossa adesão a ele.
- O tempo pascal vai do domingo da ressurreição até o domingo de pentecostes. Ele é um prolongamento do domingo da ressurreição.
- Por isso é celebrado como “um grande domingo”. Os textos bíblicos, as orações, os cantos (letras e músicas), o círio pascal, a cor festiva das vestes e - o que não pode faltar - a atitude espiritual da comunidade e de cada um de nós, expressam alegria e festividade. Celebramos a vitória de Cristo, a vitória da vida e da verdade, a nossa vitória também.
- O tempo pascal, aberto com a vigília, é o ponto alto do ano litúrgico. Infelizmente, o nosso meio cultural não ajuda a viver esse tempo especial. O comércio reduz a festa ao domingo de páscoa e logo desvia nossa atenção para o dia das mães. Na religiosidade popular, foi perdida a tradição colonial das festas do Divino Espírito Santo; ficou a dedicação de maio a Maria e os festejos juninos.
- O domingo de pentecostes é o encerramento desse tempo festivo. A semana anterior é preparatória e acentua a invocação do Espírito Santo. No Brasil, nessa semana também rezamos pela unidade das igrejas cristãs.  
- Celebrar bem o tempo pascal, na liturgia e na vida, nos ensina a viver bem o ano inteiro, também chamado de tempo comum.

 

2. Canto “Senhor, venceste a morte”

Senhor, venceste a morte,
Fizeste brilhar a vida para sempre.

- O Cristo ressuscitou dentre os mortos!
primícias daqueles que adormeceram.
A morte foi vencida pela vida.

- O Cristo ressuscitou dentre os mortos!
A morte foi tragada pela vida!
Tua vitória onde está, ó morte?

- O Cristo ressuscitou dentre os mortos!
Graças ao Deus Salvador, para sempre,
Por nosso Senhor, o Cristo Jesus.

 

3. Leitura bíblica (Jo 20,19-29)

 

4. Canto “Hoje é dia de festa”

- Hoje é dia de reza! (Bis)
É o dia do Senhor! (Bis)
Aqui vimos, ó Pai, te adorar (Bis)
de mãos dadas teu nome invocar...

- Hoje é dia de festa! (Bis)
Entre nós estás, Senhor! (Bis)
Tua Palavra nos vai recriar, (Bis)
teu Espírito a nos irmanar…

- Hoje é dia de ceia! (Bis)
Em memória do Senhor! (Bis)
Pão do céu vamos partilhar,(Bis)
de teu vinho a beber e brindar...

- Hoje é dia de entrega! (Bis)
Tu nos mandas, ó Senhor, (Bis)
A Justiça do Reino anunciar (Bis)
e um mundo de paz proclamar...

- Hoje é dia de espera (Bis)
Pela vinda do Senhor! (Bis)
Tu nos fazes, Senhor, vigiar, (Bis)
novo céu, nova terra apressar…

- Hoje é dia de festa! (Bis)
Hoje é dia de reza! (Bis)
Hoje é dia de ceia! (Bis)
Hoje é dia de entrega! (Bis)
Hoje é dia de espera! (Bis)

 

5. Conversa dois a dois:
Os encontros de Cristo com a comunidade cristã, no texto que lemos, são parecidos com as nossas celebrações dominicais? Em quê?

 

6. O domingo, dia do Senhor
- Os cristãos, antes de organizarem as festas anuais, guardavam a memória da ressurreição no “primeiro dia da semana”.
- Os relatos das aparições de Jesus ressuscitado neste dia nos indicam a tradição: Mateus 28,1; Marcos 16,2; João 20,1; Lucas 24,1; João 20,19 [lido acima]; João 20,16; Atos 20,7.
- Esse primeiro dia, passou a se chamar domingo, “dia do Senhor”, conforme Apocalipse 1,10. Vamos ler.
- A consciência da presença do Ressuscitado na reunião dos irmãos e irmãs, na palavra proclamada e acolhida, na santa ceia do pão e do vinho, faz do domingo um dia diferente dos demais.
- O domingo, chamado também de “oitavo dia”, não projeta simplesmente para um tempo futuro, ideal, que ainda vai acontecer após a nossa morte. Mas aponta o “agora” como possibilidade, como oportunidade de viver o que está prometido para a eternidade.
- O domingo, com a presença do Ressuscitado e do seu Espírito, é portador de uma nova luz no meio do nosso cotidiano sobrecarregado de trabalho, de compromissos, de tensões.

 

7. Canto  “Canta, meu povo”

Canta, meu povo!
Canta o louvor de teu Deus!
Que se fez homem e por nós morreu,
Que ressuscitou pelo amor dos seus
!

- Somos a nação santa e o povo eleito,
Um sacerdócio real.
Deus nos chamou das trevas à sua luz,
Sua luz imortal.

- Nós somos transportados da morte à vida,
Pelo amor dos irmãos.
Vamos amar até nossos inimigos,
É a lei do cristão!

- Senhor Jesus, já não sou mais eu que vivo,
Tu vives em mim.
O meu desejo é um dia ver tua face
Na glória sem fim.

 

Buscando o sentido:
- Quem pode ser esse povo, chamado a cantar o louvor de Deus?
- Qual o motivo do louvor?
- O refrão fala que Cristo “ressuscitou por amor dos seus”. A quem está se referindo?
- Por que usa o pronome “seus”?
- Os discípulos e discípulas de Cristo, desde o início compreenderam a Igreja como a “nação santa e o povo eleito, um sacerdócio real”, povo destinado ao serviço de Cristo, em favor de toda a humanidade.
- O que significa “Deus nos chamou das trevas à sua luz, sua luz imortal”?
- Como entendemos esta afirmação: “Nós somos transportados da morte à vida por amor dos irmãos”?
- Podemos dizer que o amor dos irmãos nos faz passar da morte à vida? Alguém já passou por esta experiência?
- O que isso tem a ver com Cristo?
- Outros pontos que podemos conversar: o amor aos inimigos como “lei do cristão”; o desejo de ver a face de Jesus na “glória sem fim”.
- A frase “Senhor Jesus, já não sou eu que vivo, tu vives em mim” é uma oração dirigida a Cristo. Quem primeiro fez esta afirmação foi o apóstolo Paulo. Podemos ler Gálatas 2,19b-20.
- O que entendemos nessa afirmação?

 

8. Elementos pascais da celebração do domingo.
- Reunião dos batizados, povo sacerdotal;
- A proclamação e a escuta da palavra de Deus;
- A celebração da ceia do Senhor;
- Também: o sinal da cruz, o ato penitencial, a aspersão, o aleluia da aclamação ao evangelho, a aclamação “Ele está no meio de nós”; o Creio e o abraço da paz.

 

9. Círculos concêntricos: sugestões de como viver o sábado e o domingo

 

10. O sinal da cruz
- Os cristãos evangélicos estão usando a cruz na fachada e no interior dos templos. Usam também em suas casas? E em forma de cordão, no pescoço?
- Lembrar o costume dos cristãos católicos levarem uma cruz no pescoço ou de terem uma cruz em casa, na sala e no quarto (sobre a cama); o sinal da cruz nas celebrações, ao despertar, ao deitar, na hora das refeições e dos perigos.
- Por que usamos a cruz? E por que fazemos o sinal da cruz?
- A cruz tem algo a ver com o mistério pascal?
- E nós temos algo a ver com a cruz e o mistério pascal?
- O sinal da cruz pode significar uma invocação da páscoa do Senhor? Como assim?
- Qual seria então o sentido de cada uso da cruz e do sinal da cruz, como lembrado acima?

 

11. Canto “Nossa glória é a cruz”


Nossa glória é a cruz,
onde nos salvou Jesus.

- Nós devemos gloriar-nos   
nesta cruz de salvação:          
traz-nos vida e liberdade        
e nos dá ressurreição.

- Foi preciso ao Senhor,
pra entrar na sua glória,         
ser na cruz crucificado:         
e o caminho da vitória.

- E quem quer viver unida   
sua vida à de Jesus,    
não terá outro caminho:         
"pela cruz se chega à luz!"

 

12. Atividades para casa
a) No próximo encontro trazer: Bíblia.
b) Data do próximo encontro...
d) Leitura, em casa, dos trechos do Catecismo da Igreja Católica.

 

 

TEMPO PASCAL E DOMINGO
Leituras para casa

 

O dia do sábado

1. O terceiro mandamento do Decálogo lembra a santidade do sábado: "O sétimo dia é sábado; repouso absoluto em honra do Senhor" (Ex 31,15) (CIC 2168).
2. A propósito dele, a Escritura faz memória da criação: "Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm, mas repousou no sétimo dia. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou" (Ex 20,11) (CIC 2169).
3. No dia do Senhor, a Escritura revela ainda um memorial da libertação de Israel da escravidão do Egito: "Recorda que foste escravo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te fez sair de lá com a mão forte e o braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus te ordenou guardar o dia de sábado" (Dt 5,15) (CIC 2170).
4. Deus confiou o sábado a Israel, para que ele pudesse guardá-lo em sinal da aliança inquebrantável. O sábado é, para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, de sua obra de criação e de suas ações salvíficas em favor de Israel (CIC 2171).
5. O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus "retomou o fôlego" no sétimo dia (Ex 31,17), também o homem deve "folgar" e deixar que os outros, sobretudo os pobres, "retomem fôlego". O sábado faz cessar os trabalhos cotidianos e concede uma pausa. É um dia de protesto contra as escravidões do trabalho e o culto do dinheiro (CIC 2172).
6. O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca profana a santidade desse dia. Dá-nos com autoridade sua autêntica interpretação: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Movido por compaixão, Cristo se permite, no "dia de sábado, fazer o bem de preferência ao mal, salvar uma vida de preferência a matar. O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus. "O Filho do Homem é senhor até do sábado" (Mc 2,28) (CIC 2173).

O dia da ressurreição: a nova criação

7. Jesus ressuscitou dentre os mortos "no primeiro dia da semana" (Mc 16,2). Enquanto "primeiro dia", o dia da Ressurreição de Cristo lembra a primeira criação. Enquanto "oitavo dia", que segue ao sábado, significa a nova criação inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Para os cristãos, ele se tornou o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as festas, o dia do Senhor (...), o "domingo":
Reunimo-nos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia (após sábado dos judeus, mas também o primeiro dia) em que Deus extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, nesse mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos (Justino) (CIC 2174).

O domingo – plenitude do sábado

8. O domingo se distingue expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, a cada semana, e cuja prescrição espiritual substitui, para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judeu e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Pois o culto da lei preparava o mistério de Cristo e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo:
Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança não mais observando o sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida é abençoada por Ele e por sua morte (Inácio de Antioquia) (CIC 2175).
9. A celebração do domingo observa a prescrição moral naturalmente inscrita no coração do homem de "prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular sob o signo de seu benefício universal para com os homens". O culto dominical cumpre o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito retomam ao celebrar cada semana o Criador e o Redentor de seu povo (CIC 2176)

A eucaristia dominical


10. A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. "O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência." (CIC 2177)
11. Esta prática da assembleia cristã data dos inícios da era apostólica. A Epístola aos Hebreus lembra: "Não deixemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Procuremos animar-nos sempre mais" (Hb 10,25).
A Tradição guarda a lembrança de uma exortação sempre atual: "Vir cedo à Igreja, aproximar-se do Senhor e confessar seus pecados, arrepender-se na oração... Participar da santa e divina liturgia, terminar a oração e não sair antes da despedida... Dissemos muitas vezes: este dia vos é dado para a oração e o repouso. É o dia que o Senhor fez. Exultemos e alegremo-nos nele" (autor anônimo) (CIC 2178).
12. "Paróquia é uma determinada comunidade de fiéis, constituída de maneira estável na Igreja particular, e seu cuidado pastoral é confiado ao pároco, como a seu pastor próprio, sob autoridade do bispo diocesano". É o lugar onde todos os fiéis podem ser congregados pela celebração dominical da Eucaristia. A paróquia inicia o povo cristão na expressão ordinária da vida litúrgica, reúne-o nesta celebração, ensina a doutrina salvífica de Cristo, pratica a caridade do Senhor nas obras boas e fraternas.
Não podes rezar em casa como na Igreja, onde se encontra o povo reunido, onde o grito é lançado a Deus de um só coração. Há ali algo mais, a união dos espíritos, a harmonia das almas o vínculo da caridade, as orações dos presbíteros (São João Crisóstomo) (CIC 2179).

A obrigação do domingo


13. O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: "Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa". "Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior” (CIC 2180).
14. A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave (CIC 2181).
15. A participação na celebração comunitária da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e de fidelidade a Cristo e à sua Igreja. Assim, os fiéis atestam sua comunhão na fé e na caridade. Dão simultaneamente testemunho da santidade de Deus e de sua esperança na salvação, reconfortando-se mutuamente sob a moção do Espírito Santo (CIC 2182).
16. "Por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do Bispo diocesano, ou então se dediquem à oração durante um tempo conveniente, a sós ou em família, ou em grupos de famílias, de acordo com a oportunidade" (CIC 2183).

Dia de graça e de interrupção do trabalho


17. Como Deus "descansou no sétimo dia, depois de toda a obra que fizera" (Gn 2,2), a vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficientes que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa (CIC 2184).
18. Durante o domingo e os outros dias de festa de preceito, os fiéis se absterão de se entregar aos trabalhos ou atividades que impedem o culto devido a Deus, a alegria própria ao dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia e o descanso conveniente do espírito e do corpo. As necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical. Os fiéis cuidarão para que dispensas legítimas não acabem introduzindo hábitos prejudiciais à religião, à vida familiar e à saúde (CIC 2185).
O amor da verdade busca o santo ócio, a necessidade do amor acolhe o trabalho justo (CIC 2185).
19. Os cristãos que dispõem de lazer devem lembrar-se de seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos, mas não podem repousar por causa da pobreza e da miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado pela piedade cristã às boas obras e aos humildes serviços de que carecem os doentes, os enfermos, os idosos. Os cristãos santificarão ainda o domingo dispensando à sua família e aos parentes o tempo e a atenção que dificilmente podem dispensar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorece o crescimento da vida interior cristã (CIC 2186).
20. Santificar os domingos e dias de festa exige um esforço comum. Cada cristão deve evitar impor sem necessidades a outrem o que o impediria de guardar o dia do Senhor. Quando os costumes (esporte, restaurantes etc.) e as necessidades sociais (serviços públicos etc.) exigem de alguns um trabalho dominical, cada um assuma a responsabilidade de encontrar um tempo suficiente de lazer. Os fiéis cuidarão, com temperança e caridade, de evitar os excessos e violências causadas às vezes pelas diversões de massa. Apesar das limitações econômicas, os poderes públicos cuidarão de assegurar, aos cidadãos, um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm uma obrigação análoga com respeito a seus empregados (CIC 2187).
21. Dentro do respeito à liberdade religiosa e ao bem comum de todos, os cristãos precisam envidar esforços no sentido de que os domingos e dias de festa da Igreja sejam feriados legais. A todos têm de dar um exemplo público de oração, de respeito e de alegria e defender suas tradições como uma contribuição preciosa para a vida espiritual da sociedade humana. Se a legislação do país ou outras razões obrigarem a trabalhar no domingo, que, apesar disso este dia seja vivido como o dia de nossa libertação, que nos faz participar desta "reunião de festa", desta "assembleia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus" (Hb 12,22-23) (CIC 2188).

Resumindo


22. "Guardarás o dia de sábado para santificá-lo" (Dt 5,12). "No sétimo dia se fará repouso absoluto em honra do Senhor" (Ex 31,15)
(CIC 2189).
23. O sábado, que representava o término da primeira criação, é substituído pelo domingo, que lembra a criação nova, inaugurada com a Ressurreição de Cristo (CIC 2190).
24. A Igreja celebra o dia da Ressurreição de Cristo no oitavo dia, que é corretamente chamado dia do Senhor, ou domingo (CIC 2191).
25. "O domingo (...)deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa de preceito por excelência." "No domingo e em outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa." (CIC 2191) (CIC 2192).
26. "No domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis se absterão das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus, a alegria própria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo." (CIC 2193).
27. A instituição do domingo contribui para que "todos tenham tempo de repouso e de lazer suficiente para lhes permitir cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa (CIC 2194).
28. Todo cristão deve evitar impor sem necessidade aos outros aquilo que os impediria de guardar o dia do Senhor (CIC 2195).