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O PERDÃO DE DEUS - 11º Encontro

LITURGIA E VIDA: caminho de espiritualidade, jovens e adultos

Este é o décimo primeiro roteiro da série "Liturgia e Vida", voltada para a formação espiritual dos/as jovens. Os roteiros são preparados para encontros de quatro horas de duração e procuram trabalhar os elementos básicos da espiritualidade litúrgica. Um dos objetivos deste material é ajudar os/as jovens a descobrirem na liturgia uma fonte permanente de espiritualidade, no seguimento de Jesus.



Roteiro para os coordenadores


Material: Folha dos participantes.
[Antes de copiar a folha aqui oferecida, é preciso rever os cantos. Também é preciso ter certeza que os participantes trarão a Bíblia, caso contrário será preciso acrescentar o texto de Lc 15,11-24].

Preparação: Além da preparação comum para cada encontro, os coordenadores têm uma tarefa especial que é (se necessário) dar uma orientação sobre a confissão auricular (Roteiro, n. 17) e também sobre a fórmula da absolvição (n. 20). Para isto pode ser estudado o Catecismo da Igreja Católica, n. 1448-1460. Os coordenadores podem, na preparação destes momentos, pedir a ajuda do padre ou de outra pessoa competente no assunto. Da firmeza e clareza da exposição dos coordenadores depende o esclarecimento dos participantes.




1. Preparação do ambiente


2. Chegada e acolhimento

3. Ofício ou oração inicial
(30 ou 10 min)

4. Recordação da vida
(10 min)

5. Retomada da atividade de casa
(15 min)
[Antes de tratar propriamente das leituras feitas em casa, um coordenador lembra que o tema do encontro anterior foi a conversão permanente. Propõe, então, que os participantes procurem lembrar dos conteúdos tratados na vez anterior. Um participante pode completar a lembrança de outro. Depois, sim, são levantadas as leituras sugeridas do Catecismo da Igreja Católica.]

6. Introdução (5 min). [Folha, n. 1]

7. Canto "Muito alegre" (5 min). [A letra deste canto inspira-se na parábola do "filho pródigo". Seria bom um coordenador lembrar disto. Talvez seja preciso também ensaiá-lo]. [Folha, n. 2]

8. Leitura individual de Lc 15,11-24
(10 min). [É preciso lembrar aos participantes que a leitura deve ser feita em espírito de oração, lendo cada frase com reverência, como verdadeira Palavra de Deus. Até mesmo o modo de se acomodar na cadeira, a postura do corpo e o modo de segurar o livro (ou a folha) deve ajudar a essa atitude interior. O texto pode ser lido, naturalmente, mais de uma vez por cada um]. [Folha, n. 3]

9. Comentários (5 min). [Os participantes podem fazer comentários livres a respeito da parábola, bastando que alguém coordene a sequência e a duração das falas]

10. Conversa sobre o dinamismo da conversão e da reconciliação (15 min). [Os apontamentos da folha são baseados no Catecismo, n. 1439]. [Folha, n. 4]

11. Refrão "Confiei no teu amor" (1 min). [Folha, p. 2]

12. Vivência da volta para Deus (10 min). [A descrição deve ser representada em um esquema para facilitar sua realização. Alguém da coordenação conduz a experiência que acontece em total silêncio dos participantes. Ficando de pé, é pedido aos participantes que formem grupos de três pessoas, colocando-se um de frente para o outro. E assim dispostos, combinam qual irá vivenciar o filho mais novo, o pai e o filho mais velho. Como de outras vezes, começa-se orientando a postura e respiração. Quando houver maior concentração, pede-se que cada filho mais novo coloque-se de costas para o pai e para o irmão mais velho, assuma o sentimento de separação e afastamento do pai querido e também de sua família, ajoelha e abaixa a cabeça. Passado um tempinho, os que encarnaram o filho mais novo são orientados a vivenciar interiormente o arrependimento e a esperança de voltar para casa. Abrem os olhos e levantam a cabeça para o alto. A seguir, lentamente levantam-se, voltam-se para o pai e se ajoelham diante dele, de cabeça baixa, com o sentimento de pedido de perdão e o desejo de mudança de atitude. O pai, vivenciando a compaixão, inclina-se para levantar o filho. Abraça-o com verdadeira misericórdia. O filho mais velho então aproxima-se e assume a mesma atitude interior do pai, acolhe o irmão com o mesmo gesto. O pai agora abraça a ambos. Todos vivenciam a alegria da reconciliação e a comunhão de vida].

13. Refrão "Eu canto a alegria" (1 min). [Folha, n. 5]

14. Comentário (5 min). [Depois de sentados, os participantes podem falar da experiência realizada]

15. Exposição sobre o perdão de Deus e o sacramento da reconciliação (15 min). [Também aqui o texto de fundo desta palestra é o Catecismo, n. 1440-1446] [Folha, n. 6]

16. Comentário (5 min). [Neste momento é dada oportunidade para que os participantes comentem a exposição feita. Uma pergunta que poderia dar início aos comentários livres seria: o que gostaríamos de destacar neste tema do perdão? Se preciso, outras perguntas podem ser formuladas espontaneamente]

17. Salmo 51 (5 min). [Em clima de oração " e se for interessante, de pé " canta-se um trecho deste salmo, tão significativo para o nosso tema]. [Folha 7]

18. Partilha em grupos (20 min). [Cada grupo deverá ter a presença de alguém da coordenação para coordenar a conversa do grupo. Na última pergunta, caso os participantes não tenham claro a sequência de reconciliação individual, o coordenador estará preparado para uma orientação breve e segura]. [Folha, n. 8].

19. Intervalo (30 min).

20. Conversa sobre a absolvição do sacramento da reconciliação (10 min). [O coordenador responsável por este momento fala sobre o gesto do padre e lê a fórmula da absolvição. Depois pergunta aos participantes o que aparece nessa fórmula daquilo que refletimos neste encontro]. [Folha, n. 9]

21. Refrão "Eu canto a alegria" (1 min). [Folha, n. 5]

22. Conversa sobre a conversão interior do coração e suas práticas externas
(15 min). [A conversa resume os números 1434 a 1438 do Catecismo]. [Folha, n. 10]

23. Conversa dois a dois
(5 min). [Os participantes " na troca de opiniões " são estimulados a responder à pergunta que está na folha]. [Folha, n. 11]

24. Plenário das opiniões trocadas na conversa (15 min)

25. Respiração (5 min). [Um coordenador convida os participantes a ficarem de pé e dá um tempinho para que se descontraiam. Depois propõe um momento de respiração e, se preciso, um exercício corporal a ser escolhido]

26. Refrão (5 min). [Ainda com todos de pé, os participante são animados a cantar este ou outro refrão (a ser colocado na folha) com uma atitude interior de desejo de conversão]. [Folha, n. 12]

27. Vivência de silêncio e súplica (5 min). [Agora os participantes podem sentar. É proposto para eles fazerem uma vivência de silêncio externo para que, no coração, possam dizer repetidas vezes "Senhor, tende piedade de nós", com os olhos fechados para facilitar a concentração].

28. Conversa sobre a Missa e nossa conversão permanente (15 min). [Catecismo, n. 1436]. [Folha, n. 13]

29. Canto "Se um dia" (5 min). [Cantar o indicado ou um outro apropriado]. [Folha, n. 14]

30. Tarefa para casa (5 min). [Folha, n. 15]

31. Oração final ou ofício (30 min ou 10 min)

31. Confraternização


O PERDÃO DE DEUS
Folha dos participantes


1. NOSSO BATISMO E O PECADO

a) O batismo realiza em nós uma purificação radical, independente da idade em que fomos batizados. O que quer dizer "purificação radical"?
b) Mas nossa condição humana nos leva muitas vezes a pecar "por pensamentos, palavras, atos e omissões", como diz o ato penitencial.
c) Conhecemos a parábola do filho pródigo? Sempre faz muito bem relembrar esta parábola e ouvir o que Cristo está querendo nos dizer hoje.
d) Esta parábola apresenta de forma simples e bonita como é imensa a misericórdia de Deus. Só o coração de Cristo, que conhece as profundezas do amor do Pai, poderia fazer-nos esta revelação.

2. CANTO "MUITO ALEGRE"

Muito alegre eu te pedi o que era meu:
partir, um sonho tão normal.
Dissipei meus bens e o coração também, no fim meu mundo era irreal.
Confiei no teu amor e voltei.
Sim, aqui é meu lugar!/ Eu gastei teus bens, ó Pai e te dou este pranto em minhas mãos.
Mil amigos conheci, disseram adeus. Caiu a solidão em mim.
Um patrão cruel levou-me a refletir:
meu pai não trata um servo assim.
Nem deixaste-me falar da ingratidão.
Morreu num abraço o mal que eu fiz.
Festa, roupa nova, anel, sandália aos pés.
Voltei à vida, sou feliz!


3. LEITURA BÍBLICA (Lc 15,11-24)

4. O DINAMISMO DA CONVERSÃO E DA RECONCILIAÇÃO


a) Dinamismo é o movimento que faz algo acontecer de forma especial. Aqui se trata do dinamismo da nossa conversão e da reconciliação com Deus, maravilhosamente descritos por Jesus. Vejamos como acontece. O mesmo dinamismo que aparece na parábola acontece conosco também.

b) O texto que lemos é chamado parábola do "filho pródigo", mas o centro é "o pai misericordioso".

c) Devemos entender que esse pai representa Deus e esse filho representa cada um de nós.

d) As linhas de força desse dinamismo são as seguintes. Vejamos o que tem a ver com nossa vida, nosso pecado, nossa conversão e o modo de agir de Deus:

• o fascínio do filho por uma liberdade ilusória;
• o abandono da casa paterna;
• a miséria do filho depois de esbanjar sua fortuna;
• a humilhação de ver-se obrigado a cuidar dos porcos e de não ganhar o suficiente para comer;
• a reflexão sobre os bens que perdeu;
• o arrependimento e a decisão de declarar seu erro diante do pai;
• o caminho de volta;
• o acolhimento generoso da parte do pai;
• a alegria do pai.

e) Podemos agora, dizer o que percebemos...

f) Mais ainda. A túnica bonita, o anel, o churrasco da festa são símbolos da vida nova, pura, digna, cheia de alegria daquele que volta para Deus e para a sua família que é a Igreja...

5. REFRÃO "EU CANTO"

Eu canto a alegria, Senhor,/ de ser perdoado no amor. (bis)

6. O PERDÃO DE DEUS E O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO

a) "O pecado é antes de tudo uma ofensa a Deus, uma ruptura da comunhão com ele".

b) "Ao mesmo tempo é um atentado à comunhão com a Igreja. Por isso, a conversão traz simultaneamente o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja".

c) O sacramento da reconciliação expressa e realiza a conversão.

d) "Só Deus perdoa os pecados" (cf. Mc 2,7).

e) "Por ser o Filho de Deus, Jesus diz de si mesmo: "O Filho do homem tem poder de perdoar pecados na terra" (Mc 2,10) e exerce esse poder divino: ‘Teus pecados estão perdoados!’( Mc 2,5)" (cf. Lc 7,48).

f) Mais ainda. Jesus transmite à sua Igreja esse dom do perdão de Deus para que seja exercido em seu nome. Os discípulos narram assim o primeiro encontro com Jesus Ressuscitado e a missão dada por Ele à sua Igreja: " ‘A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês’. Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados’" (Jo 20,21-23).

g) O perdão e a reconciliação para nós Cristo "conquistou ao preço de seu sangue".

h) Os ministros ordenados absolvem do pecado em nome de Cristo e da Igreja.

i) O pecado grave nos faz perder a graça batismal e a comunhão com a Igreja, a vida nova em Cristo e no Espírito Santo, a vida de mulheres e homens novos.

j) O sacramento da reconciliação também é chamado de sacramento da conversão, sacramento do perdão ou sacramento da penitência. Este sacramento "oferece uma nova possibilidade de converter-se".

7. SALMO 51

Senhor Deus, misericórdia! (bis)

Misericórdia de mim, Deus de bondade,
misericórdia por tua compaixão!
Vem me lavar das sujeiras do pecado,
vem me livrar de tamanha perdição!
Reconheço toda a minha maldade,
diante de mim a vastidão de minha ofensa...
Foi contra ti, meu Senhor, o meu pecado,
e pratiquei o que é mau em tua presença!


8. PARTILHA EM GRUPOS

a) Lembramos de nossa primeira confissão? Como foi a experiência?
b) E como tem sido nossa experiência do sacramento da reconciliação?
c) Lembramos como acontece a confissão individual?

9. A ABSOLVIÇÃO

[O padre estende as mãos sobre o penitente e diz:]
"Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai (+) e do Filho e do Espírito Santo". [O penitente traça o sinal da cruz sobre si mesmo, recebendo assim o perdão sacramental].

10. A CONVERSÃO DO CORAÇÃO E SUAS PRÁTICAS EXTERNAS

a) Precisamos da renovação do perdão de Deus e de sua graça para recomeçar sempre. A conversão do cristão é permanente, ao longo de toda a nossa vida, mesmo não havendo pecado grave em nossa vida.

b) A escritura e também nossos pais na fé recomendam três práticas como auxílio na conversão: o jejum, a oração e a esmola.

c) O jejum, o que é? Ele pode exprimir a conversão com relação a si mesmo? Por quê?

d) A oração pode exprimir a conversão com relação a Deus? Por quê?

e) E a esmola, como pode ser realizada por nós? Ela pode exprimir a conversão com relação aos outros?

f) O jejum, a oração e a esmola exprimem assim nossa conversão a Deus e nos dão o perdão dos pecados.

g) Essas práticas são chamadas também de penitenciais porque exprimem a conversão e invocam o perdão de Deus. Outras práticas os antigos nos deixaram, com a mesma finalidade. Uma delas é todo tipo de esforço que a gente faz para se reconciliar com o próximo. Como assim?

h) Outra prática é a dor interior do arrependimento. Vocês já experimentaram esse tipo de dor?

i) Podemos pedir também a intercessão dos santos para nossa conversão e para alcançar o perdão de Deus. Lembram como ela aparece no ato penitencial?

j) A prática da caridade, por sua vez, como diz a escritura, "cobre uma multidão de pecados" (1Pd 4,8). Como praticar a caridade em nossa vida?

k) Outras práticas que realizam a conversão no dia a dia de nossa vida:

•gestos de reconciliação;
•gestos do cuidado com os pobres;
•exercício e defesa da justiça e do direito;
•confissão das faltas aos irmãos;
•correção fraterna;
•revisão de vida;
•exame de consciência;
•direção espiritual;
•aceitação dos sofrimentos;
•firmeza na perseguição por causa da justiça.

l) O que acham? Querem destacar alguma dessas práticas?

m) Numa palavra só: o caminho mais seguro para a conversão e o perdão é tomar sua cruz, cada dia, e seguir a Jesus (cf. Lc 9,23). 11. Conversa dois a dois:

Qual dessas práticas a gente pode procurar viver?

12. REFRÃO

Deixa a luz do céu entrar (bis).
Abre bem as portas do teu coração e deixa a luz do céu entrar.


13. A MISSA, A QUARESMA E AS SEXTAS-FEIRAS

a) A conversão é cotidiana, ou seja, acontece em nosso dia a dia, na realidade de cada um de nós. Podemos resumir isto numa palavra, como vimos: tomar nossa cruz, cada dia, e seguir a Jesus.

b) E aqui entra a importância da Missa ou da Celebração Dominical da Palavra quando não há Missa. A Missa é a fonte e o alimento de nossa conversão. O que significa fonte e alimento, aqui?

c) A Missa (ou Celebração da Eucaristia) torna presente a entrega de Cristo, seu sacrifício, que nos reconciliou com Deus. A cada Missa isto acontece.

d) Os que vivem da vida de Cristo, os batizados, são nutridos e fortificados através da Eucaristia. Como se diz há muito tempo na Igreja: a Eucaristia é o remédio que nos liberta de nossas faltas cotidianas e nos preserva dos pecados graves.

e) Além da Missa " que é fundamental para nossa conversão " podemos lembrar da leitura da Bíblia (diária, de preferência) e a oração do Pai-nosso que reaviva em nós o espírito de conversão e contribui para o perdão dos pecados. Quando não podemos fazer uma oração da manhã e da noite mais completa, podemos simplesmente rezar a oração do Senhor, com toda sinceridade. O mesmo podemos fazer ao longo do dia.

f) Devemos lembrar ainda do tempo da quaresma " que é penitencial - e também de toda sexta-feira, ao longo do ano " que é dia de memória da morte do Senhor. Estes são dois momentos fortes de conversão.

14. CANTO "SE UM DIA"


Se um dia caíres no caminho,
não digas nunca a teu pobre coração:
És mau e traidor, ingrato e desleal,
nem olhes mais pro céu, não tens perdão.
Rancor destrói um coração que errou:
Melhor usar de mansidão e amor.
Corrige teu coração ferido
dizendo: "Amigo, coragem, vamos lá,
tentemos outra vez chegar até o fim;
e Deus é bom, ele vai nos ajudar!"


15. Tarefa para casa:
Exercitar algumas das práticas penitenciais, ou seja, que ajudam em nossa conversão e trazem o perdão de Deus para a nossa fraqueza na vida nova.



Texto elaborado por Domingos Ormonde
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